Manifesto contra o encerramento do horário integral nas escolas

21762040_687626861435815_4899967197023679722_n

Imagem: Rede Social Luz -Bom Retiro

A administração atual da Prefeitura de São Paulo parecesse não ter nenhum contato com o que acontece com as mulheres imigrantes, nem com as mulheres em geral. Parece como se as famílias devêssemos ser gratas de ter 6 horas o filho na escola, quando precisamos 8, ou as vezes mais horas. A educação pública é um direito UNIVERSAL garantido pela constituição brasileira e não um benefício. A escola pública deve suprir as carências da sua população, deve ser intercultural e plural.

As mulheres imigrantes levantamos nossa voz de protesto contra as mudanças que a atual gestão quer implementar, são medidas como estas as que vão tirando os espaços para as mulheres no mercado de trabalho, de forma injusta. A renda das mulheres trabalhadoras é muito importante no sustento da suas famílias e no caso das mulheres imigrantes é imprescindível para a sobrevivência.

Muito se fala na mídia das condições análogas a escravidão na qual muitas mulheres imigrantes trabalham, porém, quais opções têm as mulheres que não contam com vaga numa creche ou escola que proporcione horário integral para seus filhos? Nesses casos elas não têm como trabalhar no mercado formal, o que também promove que o nível de pobreza dessa mulher e da sua família aumente junto com a vulnerabilidade e desproteção.

É importante a formulação e implementação de políticas públicas, que de fato, impeçam esse tipo de medidas e que resolvam o déficit de vagas nas creches e nas escolas que proporcionam horário integral, de maneira de garantir a promoção da autonomia econômica das mulheres.

Resgatamos uma diretriz para a política da autonomia econômica, trabalho e desenvolvimento da 5° Conferencia Municipal de Políticas Para as Mulheres da cidade de São Paulo que diz: “Ampliação de oferta de equipamentos públicos e de políticas que favoreçam o aumento de tempo disponível das mulheres, promovendo a sua autonomia, inclusive para a sua inserção no mercado de trabalho.”

Por tanto, unimos nossas vozes de protesto às vozes das nossas companheiras brasileiras para lutar contra o encerramento do horário integral nas escolas, e pelo construção e implementação de mais CEIs, EMEIs e EMEFs que ofereçam horário integral como opção.

 Pode apoiar assinando a petição:

Educação Infantil é um Direito. Não acabe com o Ensino Integral em SP!

 

Por:  Andrea Carabantes y Jobana Moya  / Equipe de Base Warmis-Convergência das Culturas

Publicado em Educação | Deixar um comentário

ECONOMIA SOCIAL SOLIDARIA Y AUTOGESTIÓN: alternativas para una producción cooperativa y humanizada

21850217_1907368579289643_201792446_n

Economía Social es un término polisémico, que hace referencia tanto a un enfoque teórico de la economía, como también, a un tipo de organizaciones basadas en la democracia y en la gestión colectiva. El concepto de Economía Social se ha ido construyendo a lo largo de la historia a través de diversas experiencias que hoy le otorgan, más que un significado unívoco, un sentido  heterogéneo. Esto quiere decir que  remite a diferentes tipos de organizaciones y relaciones entre la sociedad civil, el Estado, la comunidad científica y la economía, cuyas características son determinadas por las diferentes tradiciones sociopolíticas  y el contexto histórico-espacial donde surgen. Sin embargo,  lo que comparten estas experiencias es una  forma alternativa de hacer y  pensar la economía, “más social y humana” (Cháves, 1999), que busca diferenciarse de la economía dominante, tanto de la pública, como de la privada capitalista, y de los paradigmas hegemónicos de la economía positivista.

Si bien históricamente la Economía Social ha estado asociada a experiencias de subsistencia, hoy incluye no sólo este tipo, sino también otras experiencias de organizaciones comprometidas social y políticamente con la idea de ‘otra economía’ como alternativa a la de mercado.

Para la Economía Social no existe separación entre economía y sociedad, se plantea la necesidad de desarrollar una socioeconomía en donde los sujetos no se vean escindidos de sus identidades sociales y su inserción en un mundo simbólico, histórico e institucional, es decir, su cultura. Es una economía social porque no busca producir solamente utilidades económicas, sino generar valores de uso para satisfacer las necesidades de sus productores y/o sus comunidades. Es por esto que no se orienta a la búsqueda de ganancias y a la acumulación desmedida e ilimitada del capital basándose en un proceso de explotación del trabajo ajeno. La acumulación, en este caso, se ve subordinada a la calidad de las relaciones sociales y a la satisfacción de necesidades. Estas experiencias son capaces, así, de integrar la función económica y social, creando riqueza pero distribuyéndola de manera  equitativa.

El objetivo central de la Economía Social es la reproducción de la calidad de vida de los sujetos y comunidades. En contraposición a la idea de empresa capitalista y lo que esta encarna, se propone la posibilidad de desarrollar una economía basada en el trabajo para satisfacer las necesidades de todos y mediada por diversas relaciones de solidaridad.

Sin embargo, es necesario destacar, que esta lógica no debe ser pensada de manera aislada, sino siempre en relación al sistema en que se ve inserta. Por lo tanto, no se pueden abstraer los elementos que establecen condicionamientos socio-históricos tales como el marco institucional y jurídico de una sociedad, las relaciones sociales de producción y de distribución, su sistema cultural y de valores y las relaciones de poder que en ella se dan.

Las organizaciones de la Economía Social optan por un tipo de gestión y lógica de funcionamiento particular en consonancia con los valores que reconocen, sostienen y promueven. En este sentido, incluyen la autogestión como motor esencial de funcionamiento y organización.

Paulo Peixoto de Albuquerque entiende la autogestión como un conjunto de prácticas sociales caracterizadas por la democracia real en las tomas de decisiones, lo que favorece la autonomía de un colectivo y, por lo tanto, el ejercicio de poder compartido. De este modo, destaca dos determinaciones esenciales del concepto: en primer lugar, “superar la distinción entre quien toma las decisiones y quien las ejecuta” (2004:44) y, en segundo lugar, la  autonomía decisoria de cada unidad de actividad.

La autogestión es un concepto multidimensional que no se constituye sólo como una forma de organización y división del trabajo, sino que, además posee un aspecto social, económico y político. El carácter social de la autogestión se establece, según Peixoto de Albuquerque, en un conjunto de prácticas donde las acciones y resultados dependen y son aceptados por todos los individuos. La dimensión económica implica un proceso de producción colectiva donde se privilegia el factor trabajo y las relaciones sociales en detrimento del capital. La tercera dimensión es política y se basa en la idea del poder compartido, es decir, la autogestión se asienta sobre un sistema de representaciones cuyos principios, valores y prácticas crean las condiciones necesarias para que la toma de decisiones surja de un proceso de construcción  colectiva.

La Economía Social se constituye, entonces, como un modo de relacionamiento y producción entre sujetos y organizaciones que, en pos de un objetivo común, orientan sus acciones para el aprovechamiento de sus recursos, condiciones y capacidades colectivas dando lugar, así, a un proceso democrático y autogestionado basado en valores como la solidaridad, cooperación e inclusión.

Por : Bianca Armano, Rocio Comba e Corina Demarchi (Argentina) – Equipe de Base Warmis-Convergência das Culturas

Publicado em Economia Solidária | Deixar um comentário

Mulheres Imigrantes – Privilégios e Solidaridade

 

Eu sou uma imigrante.

Essa é uma identidade bastante nova para mim.

O Brasil é um pais construído com a imigração. Isso dá para ver caminhando na cidade onde moro, São Paulo. Nas ruas eu vejo pessoas negras, brancas, asiáticas, andinas e pessoas que são de várias misturas de etnias todo dia. Eu sou dos Estados Unidos, um país também feito por imigrantes e em que a imigração é um tema bem controverso. Eu, pessoalmente, sou um produto da imigração aos Estados Unidos.

Sou uma vira lata com ancestrais do México, Espanha, Suécia, Inglaterra e Alemanha. Estudava imigração na faculdade e dava aulas de inglês a imigrantes em Texas. Também trabalhava com o acesso a saúde para imigrantes com câncer nos Estados Unidos no meu primeiro emprego depois de terminar meu mestrado. Nunca pensei que eu ia ser imigrante também. Mas há mais de 3 anos, me casei com Brasileiro (também produto de imigração de uma mãe chilena e um pai mineiro), e me mudei para o país natal dele. Além disso, nunca pensei em quanto diferente seria minha experiência da maioria dos imigrantes no Brasil.

Minha experiência no Brasil tem sido maravilhosa, nota dez. Eu tive o tempo, os recursos, o apoio e o dinheiro para fazer tudo “certo” e ganhar meu visto permanente antes de vir para cá. Eu cheguei ao Brasil num avião com nove malas de coisas sem ninguém bater o olho. Eu tive a oportunidade para começar a aprender o português antes de vir para cá e já tenho um nível de português bastante avançado que me possibilitou concorrer e obter uma vaga de doutorado na UNIFESP. Pessoas ficam todas felizes para poder falar comigo sobre os Estados Unidos, inglês, como era minha vida na Califórnia e porque eu estou aqui.

Por quase um ano e meio eu não tive um emprego fixo, mas pessoas me oferecerem trabalho como professora de inglês pelo menos uma vez por semana. Eu moro num apartamento bom, num bairro lindo e com vizinhos que me tratam com muito respeito que nunca ficam chateados ou frustrados falando comigo se esqueço uma palavra de português ou se não entendo uma situação cultural aqui. Eu não tive que sair do meu país por causa de guerra, pobreza, falta de oportunidade, violência ou qualquer tipo de perigo. Eu me mudei para estar com meu marido sem pressa e por escolha. Eu posso sair do Brasil e voltar para minha família na Califórnia quando eu quiser. Nunca me senti rejeitada, odiada, reprimida, perseguida ou zoada por causa do meu status legal como imigrante. Porém, minha experiência como imigrante não é padrão. Eu sou imigrante, mas eu sou privilegiada. Na realidade, eu tenho mais privilegio do que muitos brasileiros aqui. Eu sou privilegiada por ser Estado Unidense, branca, heterosexual, cisgênero, da classe média, com alto nível de educação e por falar inglês como língua nativa.

Meus privilégios não devem ser privilégios. Respeito e dignidade não devem ser condicional de onde você é, a cor da sua pele ou por qualquer outra questão de identidade. Todo mundo deve ter moradia, comida, acesso a cuidados em saúde, educação e o direito de atravessar fronteiras pacificamente. Seria fácil dizer que eu tenho sorte por ter esses privilégios. Mas meus privilégios não vêm da sorte. Vêm de racismo, xenofobia, classismo e um sistema que sistematicamente afirma que as pessoas brancas, europeias, estado unidenses e tal são melhores, mais civilizadas, mais lindas, mais inteligentes e que só vão melhorar o país (ainda que muitas vezes são os países que mais aproveitam dos recursos naturais e trabalho mental e físico dos brasileiros e criam e apoiam os negócios mais exploradores no país).

Muitas vezes, pessoas esquecem que sou imigrante. Para meu doutorado, eu estou pesquisando sobre a questão da imigração e acesso a cuidados em saúde e quando brasileiros me perguntam sobre meu trabalho, frequentemente me perguntam se não acho que imigrantes no Brasil estão aqui para tirar vantagem do sistema, utilizando o SUS e a Bolsa Família. Me dizem que imigrantes roubam trabalho e recursos dos Brasileiros. Sempre é interessante ver a reação quando lembro a eles que eu sou imigrante também.

Hoje em dia, a imigração e o refúgio no Brasil são assuntos importantíssimos, e as pessoas e os políticos xenofóbicos estão falando mais altos do que nunca. Por causa de conflitos internacionais, crises sociais, econômicas e ambientais, a imigração e o refúgio estão crescendo pelo mundo inteiro e os direitos de certos tipos de imigrantes estão sendo precarizados cada dia mais. Eu sinto que como imigrante privilegiada é minha obrigação moral para trabalhar para reconhecer meus privilégios e os utilizar para aumentar as possibilidades de outros imigrantes terem as mesmas oportunidades do que eu.

Desde setembro de 2016, eu faço parte da equipe de base da Warmis: Convergência das Culturas. É um coletivo que consiste principalmente em mulheres imigrantes de outros países Latino Americanos. Foi através da convivência com as mulheres imigrantes maravilhosas do grupo que eu comecei a entender muito bem o peso do meu privilegio linguístico. Várias vezes elas me disseram que tinham que aprender inglês para poder avançar no seu trabalho, na vida acadêmica ou para ser ativistas mais preparadas. O conhecimento delas de espanhol e outras idiomas não foi valorizado nestas áreas.

Eu me coloco no lugar delas, pensando que difícil seria chegar no Brasil, ter que trabalhar muito para aprender o português, uma língua super complicada, e na hora de ter que procurar um trabalho melhor ou tentar entrar no mundo acadêmico ou participar num foro ativista, aprender que ser bilíngue com sua língua nativa não é bastante porque inglês é a língua franca, hierarquizada sobre todas as outras. Além disso, as aulas de inglês são super caras e quase inacessíveis para uma pessoa que faz pouco tempo teve que recomeçar a vida num país novo.

Foi assim, falando com uma amiga do coletivo, que decidi que queria fazer um projeto e dar aulas de inglês sem fins lucrativos para mulheres imigrantes. Não tenho como derrubar o privilégio linguístico sozinha, mas tenho como usar meu privilegio para ampliar as vozes e oportunidades de pessoas que merecem ser escutadas e valorizadas por meio de educação acessível que eu pessoalmente posso fornecer. É um jeito simples para eu poder praticar a solidariedade.

Então, começando em Agosto, como projeto da Warmis, vamos oferecer aulas de inglês para mulheres imigrantes e refugiadas, para elas terem melhores oportunidades no trabalho, no ativismo e na vida acadêmica. O custo mensal será de R$30,00, dinheiro que irá para contribuir no aluguel da sala de aula e para os materiais de ensino. Infelizmente, as vagas para as aulas serão limitadas e fecharemos a lista de alunos até o 22 de Julho. As aulas serão ministradas das 19h30 até 21h30 nas segundas-feiras começando dia 7 de agosto. O local de aula fica na Rua Vergueiro, 819, sala 1, Liberdade, ao lado do Metrô Vergueiro, da linha azul.

Para que a aula possa servir para pessoas de vários níveis de inglês, a primeira hora, das 19h30 até 20h30, vai focar na gramática e conversação básica (estudantes iniciantes e intermediárias). A segunda hora vai focar na elaboração de textos e conversação avançada (estudantes intermediárias e avançadas). As estudantes são bem-vindas para escolher o horário no qual elas querem participar. Se tiver qualquer pergunta ou dúvida, entre em contato no contato@warmis.org

pode se inscrever aqui:http://www.warmis.org/projetos/aulas-de-ingles-para-mulheres-imigrantes-e-refugiadas.html

Escrito por Sam Serrano 

Publicado em Projeto Inglês para Mulheres Imigrantes | Deixar um comentário

QUAIS AS FRONTEIRAS ENFRENTADAS PELOS IMIGRANTES? (video)

QUAIS AS FRONTEIRAS ENFRENTADAS PELOS IMIGRANTES?
Análise sobre os conflitos nos processos de imigração e refúgio.

 

 

Publicado em Opiniões | Deixar um comentário

Debate: Imigração feminina e a nova lei de imigração (Videos)

18485541_733518316809213_7124068220488145172_n

Debate realizado no dia 18 de maio de 2017  no Centro Cultural São Paulo antes da sanção da nova Lei de migração no dia 25 de maio.

Mulheres imigrantes, e descendentes de imigrantes, juntam-se no Centro Cultural São Paulo para debater sobre a imigração feminina e os mais recentes desafios perante a discussão de uma nova legislação que poderia subsistuir o atual Estatuo do Estrangeiro.
Venha fazer parte do diálogo!

Convidadas confirmadas:

Bela Feldman (Ph.D em Antropologia pela Columbia University, com pós-doutorado em História por Yale)
Lucia Sestokas (Projeto Gênero e Drogas do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC))
Maricela Rivera Cardona ( Coletivo Yana Willqa)
Jobana Moya ( Equipe de Base Warmis – Convergência das Culturas)

Moderadora: Lida Tascón

18447588_733518430142535_4697822890113848068_n

 

 

Agradecemos as imagens a Fernanda Sindlinger que gentilmente fez a gravação e colocou a disposição do coletivo.

Publicado em Atividades | Deixar um comentário

Humanistas no VII Fórum Social Mundial das Migrações 2016

Participação dos membros do Movimento Humanista:

Tomás Hirsch Goldschmidt | Ativista da luta não violenta durante a ditadura de Augusto Pinochet. Fundador e presidente do Partido Humanista do Chile na década de 90. Também foi candidato presidencial, em 2005, pela aliança de esquerda “Juntos Podemos Más”.

Annalisa Pensiero | Antropóloga e integrante do Movimento Humanista. Responsável desde 1999 até 2002 pelo projeto Oñondivepá (auto-organização comunitária), no Paraguai. Em 2001, criou o Fórum de Educadores Humanistas.

Jobana Moya | Imigrante boliviana e integrante do movimento humanista desde o ano 2000. Ativista pelos direitos dos imigrantes no Brasil desde 2008, e uma das fundadoras Equipe de Base Warmis, em 2013.

 

 

Publicado em Não Violência Ativa | Deixar um comentário

Eixo 3 “Migração, gênero e corpo” – Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM) 2016

1

“Migração, gênero e corpo”

Aida Garcia Naranjo | Foi a primeira Ministra das Mulheres do Peru. Também atuou como embaixadora do Peru no Uruguai e foi representante permanente do país para o MERCOSUL e da Associação Latino-americana de Integração (ALADI).

Jobana Moya | Imigrante boliviana e integrante do movimento humanista desde o ano 2000. Ativista pelos direitos dos imigrantes no Brasil desde 2008, e uma das fundadoras Equipe de Base Warmis, em 2013.

Hortence Mbuyi Mawanza | Congolêsa formada em direito econômico e social pela universidade de Kinshasha.

Moderadora – Valeria España | Advogada com mestrado e doutorado em Direitos Humanos pela Universidade Nacional de Lanús, em Buenos Aires. Já foi consultora do Instituto de Políticas Públicas e Direitos Humanos do MERCOSUL.

 

 

Publicado em Frente de Mulheres Imigrantes e Refugiadas | Deixar um comentário

Criação do Eixo 3 “Migração, gênero e corpo” – FSMM 2016

Online petition calls for gender equality at the World Social Forum on Migration

Este eixo foi incorporado no FSMM 2016 a pedido e articulação do Frente de Mulheres Imigrantes e Refugiadas FMIR (1),  que através de uma campanha de assinaturas no Avaaz visibilizaram o tema que foi proposto nas reuniões do Comité organizador local  onde alguns coletivos da FMIR participaram ativamente  e em dialogo com o Comité Internacional do FSMM se defini-o a incorporação de este eixo, sendo uma proposta e uma conquista das mulheres imigrantes e refugiadas.

A Campanha no Avaaz:

Solicitamos ao VII Fórum Mundial Social de Migrações, que acontecerá do 07 ao 10 de julho em São Paulo- Brasil, um compromisso concreto com a igualdade de gênero, garantindo a participação equitativa das mulheres imigrantes em todas as etapas do evento, e que elas sejam visivelmente contempladas num Eixo principal. Como mencionamos a seguir:

Eixo: Migração, Gênero e Corpo: Mulheres Migrantes, a luta pelo reconhecimento como Sujeitas de Direito.  Mulheres Refugiadas, Condições de abrigo e Mudanças Socioculturais. Mulher e Condições de Trabalho, Cooperativismo e Economia Solidaria. Mulher e Saúde: Dificuldades, Conquistas e Desafios Nacionais e Internacionais. Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos: Conhecimento, práticas e acesso aos serviços de atendimento. Migração de Menores de Idade. Combate à Violência Sexual, de Gênero e Tráfico de Pessoas: Que têm feito os países até agora? Migração da população LGBT. (Des)Criminalização da Diversidade Sexual no Mundo. População LGBT e (Im)possibilidades Laborais. Ser LGBT e refugiado: Dificuldades e Resistências. Políticas de Saúde para a População LGBT: Possibilidades, avances e desafios.

Acreditamos, que o Fórum deve ser ciente do aumento crescente de mulheres e meninas migrantes no mundo, sendo elas as mais vulneráveis.  
Além disso, consideramos que o fórum deve trabalhar em concordância com os documentos que garantem os direitos humanos das mulheres como os assinados internacionalmente na Conferência de Pequim +20 e  de Rio +20, este último indica dentro dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentáveis – Agenda 2030, o objetivo de que os países assinantes entre eles Brasil “Alcancem a igualdade de gênero e empoderem todas as mulheres e meninas”.  Veja-se: http://www.pnud.org.br/ODS5.aspx

Certas/os de que V.Exa. saberá respeitar nossas solicitações, as/os abaixo-assinados solicitam imediatas providências e resposta sobre o assunto exposto

 

 

(1)A Frente de Mulheres Imigrantes e Refugiadas é  uma frente formada por mulheres imigrantes e refugiadas de diferentes coletivos e mulheres ativistas que se manifestam e posicionam em conjunturas políticas em prol dos direitos das mulheres imigrantes e refugiadas, lutando para ter maior visibilidade e espaço de protagonismo na cidade de São Paulo.

Publicado em Frente de Mulheres Imigrantes e Refugiadas | Deixar um comentário

Reflexões sobre o significado de ser brasileira e reivindicar a identidade latino-americana

adriana1

Por Adriana de Carvalho[1]

 

A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais do que eu;

e ela não perde o que merece ser salvo.

Eduardo Galeano.

 

Este é um texto de memórias. Memórias de quem eu sou e do quanto conhecer a América Latina me mobilizou rumo a constituição dessa identidade. Por muitas vezes fui questionada sobre essa ligação tão forte com a cultura latino-americana, “mesmo sendo brasileira”. Foi sempre uma pergunta difícil de responder e a proposta de escrever esse relato está me ajudando a reformular algumas respostas. Nasci em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais e cresci em uma região ao norte desse estado, quase divisa com a Bahia. O local onde fui criada pelos meus avós se chama Várzea de Santo Antônio, um vilarejo de poucas casas, de gente muito velha e crianças (os jovens e adultos vão para a capital trabalhar). Meu avô trabalhava na roça e minha vó cuidava da horta, das galinhas e de mim. Vivi ali até os meus sete anos e a minha constituição de ‘gente’ se deu nesse lugar encantado.

O que significa reivindicar, então, a identidade latino-americana, para alguém que cresceu na roça? Qual vínculo me prende a pessoas e paisagens tão diferentes daquelas a que fui habituada?

Se sentir como parte da América Latina começa a fazer sentido quando, no interior do México, participando de uma procissão na cidade de Cuetzalan, vem a mente a lembrança das festas do Divino Espírito Santo na casa dos meus avós, assim como todo o calendário religioso que ainda organiza a vida social no campo. Olhando para o rosto das pessoas que equilibravam o andor, reconheci o semblante dos meus avós, tão indígenas quanto aqueles nahuatl – Nossa Senhora Aparecida, Virgem de Guadalupe: ambas achirupitas e de pele escura. Significa também comer humitas em Osorno, sul do Chile, e lembrar das broas e pamonhas servidas ainda quentes pela minha vó, em cima do fogão a lenha. Andar nos ônibus precários que partem de Puerto Quijarro, Bolívia, e recordar das mesmas estradas de terra que conduzem ao povoado onde fui criada até a cidade, onde minha vó ia comprar produtos industrializados.

adriana2

Por onde andei, me senti latino-americana porque as terras que partilhamos não reconhecem fronteiras. As águas cristalinas dos lagos de Entre Lagos, Chile, me fazem recordar o rio em que minha vó lavava roupas e cantava suas ladainhas enquanto eu brincava e, com os pés sobre as pedras escorregadias, senti que aquelas águas também eram minhas – pouco importando se não surgiam do rio Jequitinhonha. A nossa espinha dorsal é a cordilheira e o sangue que nos energiza são as nossas águas que emergem dela e do subterrâneo. Ser adulta e conhecer, e se reconhecer, nessas paisagens, me explica porque sou latino-americana e é meu direito reivindicar uma história em comum – eu sou de todos esses lugares.

E porque os brasileiros, em geral, não se reconhecem latino-americanos?

Para essa questão, as Universidades já produziram algumas explicações. Mas compreendo que a América Latina começa a fazer sentido quando a sentimos pulsando dentro de nós. A explicação mais rasa, e costumeiramente utilizada, é a língua: o vínculo foi rompido por conta da colonização ibérica – portuguesa e espanhola – sendo que o fato de Brasil e Paraguai, por exemplo, por serem colonizados por países de línguas distintas, não estejam irmanados culturalmente. Nesse aspecto, é relevante pensar nas populações indígenas da etnia Guarani, que se deslocam historicamente por essas terras ancestrais, vivendo sua língua e cultura independentemente do Estado Nacional. Se a explicação é a fronteira oriunda da colonização, as populações originárias do nosso continente rompem com essa lógica, e demonstram que a ancestralidade e o reconhecimento dos graus de parentesco suprimem a organização colonial e pós colonial do espaço. De todo modo, no interior dos países existem distinções de termos e vocabulário, pois a língua e viva e atende a necessidade da população que a utiliza e aporta novos significados e valores a ela. Nesse sentido o ‘portunhol’ representa, a meu ver, um significativo esforço de comunicação utilizado pelas populações, especialmente as de fronteira. Longe de ser um equívoco, o portunhol é uma forma criativa de diálogo.

Ademais da língua, outras explicações se pautam no sistema colonial e na configuração dos Estados Nacionais. Atribui-se a esses elementos o distanciamento entre nossas histórias. E os livros de História contribuem para afirmar essa perspectiva, ao não aprendermos sobre os nossos processos, estudando de forma muito superficial a ‘História da América’ – sendo grande parte do conteúdo destinado a explicar a história dos E.U.A. Um estudante brasileiro não tem o conhecimento necessário para compreender a história e a cultura latino-americanas na escola, que é a instituição responsável por sistematizar o mundo e apresentá-lo sob a forma de conteúdos escolares, o que ocasiona numa lacuna na formação. Os assuntos mais recorrentes – ainda assim, ensinados de forma superficial- são o tripé ‘Incas-Maias-Astecas’, numa tentativa de produzir uma ‘ante-sala’ para a colonização. Em decorrência dessa deficiência na formação escolar básica, o brasileiro não tem condições de estabelecer parâmetros mínimos entre a sua cultura e a dos ‘hermanos’, quem dirá se reconhecer como latino-americano. As informações sobre o continente são obtidas através dos veículos de imprensa, sempre mediados por interesses que não são os relacionados a integração dos nossos povos.  Atribui-se a essa mediação, por exemplo, a persistência de estereótipos sendo que ser ‘latino’ é o mais arraigado deles. O ‘latino’ é o outro, o que fala espanhol, o que interpreta o vilão nos filmes estadunidenses, é aquele que não se parece comigo, estrangeiro, o que deve ser combatido (é interessante verificar que nos E.U.A. e Europa, brasileiros também são assim classificados: latinos). As referências do Audiovisual massificado também não contribuem para o estabelecimento de vínculos afetivos e culturais com a nossa América Latina. Recordemos do exemplo do seriado “Narcos”, assistido em milhares de lares brasileiros e que trazia o personagem Pablo Escobar e suas desventuras, interpretado por um ator brasileiro de grande visibilidade midiática. Há muitos anos, esse enredo é o que está fixado no imaginário brasileiro quando se remete a Colômbia, contudo, é justamente esse enredo da história que os colombianos estão lutando para superar. Ao pensar na Colômbia – a esquina mais privilegiada da América Latina –  poderíamos, por exemplo, refletir sobre as comunidades originárias, a presença africana e a luta antiescravista, a produção literária que busca traduzir os conflitos contemporâneos, ou até mesmo a necessidade de refundação do Estado após os intensos anos de guerra civil. Mas persistir no paradigma do narcotráfico dá mais audiência.

   A escola cumpre importante papel na percepção de nossa identidade, que também é latino-americana, e pensar nessa responsabilidade social de educadora me estimulou a buscar, na formação acadêmica, o suporte para ancorar a busca pelos caminhos. Acredito que é através das Ciências Humanas – especialmente a História, que é a minha área de atuação-  que poderemos articular as nossas trajetórias latino-americanas, precisamos nos estudar, trocar saberes, conhecimentos, dialogar. Guiada por essa utopia, aceitei o desafio de atuar na equipe do Núcleo de Educação Étnico-racial da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, na gestão do prefeito Fernando Haddad onde, juntamente com uma equipe brilhante e muito comprometida, tivemos a tarefa de estruturar e consolidar uma área de trabalho intitulada “Educação para Imigrantes”. Nos quase três anos de trabalho tive o privilégio de conhecer educadores que partilhavam as mesmas inquietudes, contudo, o que os movia era a necessidade de acolher bem os estudantes Imigrantes, o que proporcionou o desenvolvimento de parcerias que levaremos por toda a vida.

No trabalho desenvolvido no Núcleo de Educação Étnico-racial puder doar toda a paixão que a História e a Cultura latino-americana me despertam e contagiar um grande número de educadores. Um tema que era invisível até então – dos estudantes latino-americanos nas escolas paulistanas e as suas culturas de origem – ganhou destaque e relevância através de cursos de formação para educadores, seminários, oficinas, mostras culturais, apresentações teatrais, espetáculos de música e dança, degustação de culinária, mostras fotográficas, cineclubes, feiras de difusão de artesanato, contação de histórias, fórum de discussão curricular… uma infinidade de atividades que teve como foco o compartilhamento de cultura, da nossa cultura, da cultura latino-americana. Cerca de 80% dos estudantes imigrantes na Rede Municipal de Ensino de São Paulo são latino-americanos e caribenhos, o que configura um desafio quando se pensa na discussão curricular nos moldes como colocou Paulo Freire: crítico, popular e emancipador. Que espaço há na escola para o compartilhamento desses saberes? Qual currículo escolar pode ser construído a partir da diversidade cultural vivenciada na escola? Algumas das respostas para essas perguntas pretendo encontrar através da pesquisa de Doutorado que se inicia em 2017. Mas, como o que nos movem são as perguntas, retomo o parágrafo inicial dessas Memórias: mesmo sendo brasileira, porque a América Latina pulsa dentro de mim? A essa questão a pesquisa acadêmica não poderá dar respostas. Essas são questões que me conduzirão para toda a vida.

adriana3

Nossa comida, nossa religiosidade, nossas canções, nossas perdas e conquistas, nossas estradas de terra, tudo nos remete ao que somos enquanto povo – é o nosso espaço compartilhado.

Em tempo: certa vez, em horário de pico, no metrô da cidade do México eu conversava em português com uma amiga de viagem e algumas pessoas nos olhavam com estranhamento. Se pudesse voltar no tempo, não ignoraria os olhares. Eu diria que um metrô parecido circulava São Paulo naquele exato momento, haviam tantos trabalhadores cansados, super-explorados, preocupados com as dívidas e o desemprego, porque o nosso povo partilha as mesmas angústias, mas a traduzimos em línguas diferentes. Se me pedissem para conceituar “Interculturalidade”, exemplo melhor eu não poderia encontrar.

[1] Nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil: América Latina. Professora de História na Rede Municipal de Ensino de São Paulo. Mestre em Integração da América Latina pelo PROLAM/USP.

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário

Ciclo: Clandestinas, Dissidentes, Marginais: As mulheres e as lutas urbanas

A convite do coletivo  Arrua  nosso coletivo participou no dia 25 de outubro as 19:00 hs    do debate  do Ciclo: Clandestinas, Dissidentes, Marginais: As mulheres e as lutas urbanas.

Convidades:

SYMMY LARRAT, coordenadora do programa Transcidadania da Prefeitura Municipal de São Paulo e ativista trans
JOBANA MOYA, ativista da Equipe de Base Warmis – Convergência das Culturas, coletivo que integra a Frente de Mulheres Imigrantes e a FIRI – Frente Independente de Refugiados e Imigrantes.
MARA LUCIA SOBRAL, catadora, fundadora da Cooperativa Granja Julieta

====
Sobre o ciclo CLANDESTINAS, DISSIDENTES, MARGINAIS: As mulheres e as lutas urbanas
====

Pensar na luta política a partir da vida cotidiana e das relações sociais, da fabricação silenciosa dos sentidos de pertencimento, da produção de outras linguagens para falar de um mundo no qual sempre fomos clandestinas, dissidentes, marginais. A proposta do ciclo de debates CLANDESTINAS, DISSIDENTES, MARGINAIS: As mulheres e as lutas urbanas é pensar a “política no feminino”, não nos situando apenas nas grandes estruturas institucionais, mas refletindo sobre outras formas políticas que nos permitam escapar das armadilhas de uma política masculina e patriarcal.

O feminismo vem dando visibilidade para aspectos tradicionalmente excluídos do debate político: o mundo da reprodução, a prática dos cuidados, a produção do corpo, a escuta intransigente, a produção de linguagens dissidentes, a possibilidade de ser afetadx pelas diferenças. Existe um feminismo possível capaz de fazer frente ao avanço do capitalismo aos nossos corpos e territórios? Como é possível pensar a crise (urbana e política) que vivemos a partir de uma política feminista? O feminismo pode se liberar das questões de “gênero” apenas para se constituir como a matriz central de outra política, outras práticas de resistência e de organização?

Para responder a essas questões, convidamos mulheres com histórias de práticas e experiências ativistas para um espaço de trocas e reflexão sobre as possibilidades de resistência e o novo terreno da luta contra o avanço neoliberal — identificado por muitas feministas na América Latina como responsável pelo esgarçamento das redes de proteção comunitárias, o enfraquecimento das relações coletivas e a produção contínua de uma atomização social que produz, incessantemente, uma paisagem social e urbana marcada pela “guerra de todos contra todos”.

Texto: Coletivo Arrua

Fotos:  Paula Andrea Rodriguez ( Equipe de Base Warmis-Convergência das Culturas)

Publicado em Atividades | Deixar um comentário