6ª Marcha dos Imigrantes em São Paulo


São Paulo (Brasil). No dia 2 de Dezembro se celebrou em São Paulo a 6ª Marcha dos Imigrantes. Jobana Moya, da Equipe de Base Warmis da Convergência das Culturas, foi a responsável de falar em nome da Comunidade Boliviana.

Palavras da Representante da Comunidade Boliviana Jobana Moya (Warmis-Convergência das Culturas) na 6° Passeata das Pessoas Imigrantes.

São Paulo, 2 de Dezembro de 2012

O momento na Bolívia é de um despertar social, uma inquietude generalizada por fazer-se cargo de seu próprio destino, as pessoas discriminadas, as pobres, as campesinas recuperaram sua dignidade.

Dignidade, algo que como imigrante nos negam quando se valoriza mais os produtos que os seres humanos ao passar as fronteiras, quando nossas vidas se vêm determinadas por sermos “ilegais”, quando somos discriminadas/os por nossa aparência e cultura, quando nos negam nossos direitos políticos, nos quitam a oportunidade de tomar nosso destino em nossas mãos.

Nós que aqui trabalhamos, construímos nossas famílias, novas amizades, que fincamos raízes nesta terra que escolhemos, queremos também construir junto com nossas irmãs e irmãos do Brasil um país melhor para todas as pessoas, inclusivo e participativo, onde os direitos humanos sejam efetivos e não fiquem só nos papéis.

Existe uma sentida necessidade humana para o encontro das culturas e de paz ao redor de um destino comum, que supere a violência, a injustiça, a dor e o sofrimento. (1)

A Globalização é o controle social através dos Bancos e do Capital Financeiro Multinacional, a Mundialização em troca, é a busca das culturas e povos por encontrar-se num destino comum de respeito dos direitos humanos, de igualdade de oportunidades e de equilíbrio com o meio ambiente. (1)

A Mundialização é uma aspiração dos povos pelo respeito dos diferentes costumes e crenças, é a aspiração de eliminar a guerra e olhar-nos aos olhos, sabendo que podemos resolver nossos conflitos e diferenças como seres humanos e não como selvagens que se destróem uns aos outros. (1)

Antes de ser boliviana, paraguaia, peruana ou de qualquer outra nacionalidade, somos seres humanos. O ser humano não é ilegal, e as fronteiras que fecham o seu caminho devem ser eliminadas. Isto é possível e deve ser uma exigência dos povos para humanizar os Estados. (1)

Fomos exploradas e explorados, porém não exploraremos. Fomos discriminadas e discriminados, porém não discriminaremos. Fomos maltratadas e maltratados, porém não maltrataremos. (2)

Nos colocamos em pé frente a injustiça, a exploração e a discriminação. (2)

Afirmamos a valentia, a compaixão e a solidariedade; despreciando a covardia, a insensibilidade e a violência das pessoas poderosas. (2)

“A força não provém da capacidade física e sim de uma vontade indomável”. (Gandhi)

E as mulheres imigrantes têm uma vontade indomável. Apesar das distâncias mantém famílias unidas e mantém a fé no futuro aberto de nossas filhas e filhos.

Queremos estar lado a lado de nossos companheiros nesta luta e não atrás.

É o momento das mulheres imigrantes assumir o espaço que muitas vezes nos foi negado.

Me despido pedindo a todas minhas companheiras e companheiros que tratemos aos demais como queremos de ser tratadas/os .

(1)Extraído de: Uma proposta política para a Nova Civilização (título original Una propuesta política para la Nueva Civilización (Tomás Hirsch) Segundo Simpósio do Centro Mundial de Estudos Humanistas, Punta de Vacas, 29 ao 31 de Outubro de 2010.

(2)Extraído de: Proposta do Novo Humanismo às Nações Originárias da América (título original Propuesta del Nuevo Humanismo a las Naciones Originarias de América (Autores: Nestor Elias e Javier Tolcachier).

Mulheres bolivianas e paraguayas

Com amigos de “Japayque”

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